O que é o carcinoma basocelular

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais comum que existe. Ele nasce das células basais, que ficam na camada mais profunda da epiderme, e quase sempre aparece em áreas que tomaram muito sol ao longo da vida, como rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo. Cresce devagar, raramente se espalha para outros órgãos e, quando tratado cedo, tem um prognóstico excelente.

Mesmo assim, ele não deve ser ignorado. Como dermatologista em Belo Horizonte, vejo com frequência o carcinoma basocelular chegar ao consultório depois de meses ou anos de “ferida que não sara” ou “espinha que não vai embora”. Neste texto explico como ele costuma se apresentar, por que ele é diferente da pinta escura que todo mundo associa ao câncer de pele e como é o tratamento.

Por que ele é o câncer de pele mais comum

Segundo o INCA, o câncer de pele não melanoma, grupo do qual o carcinoma basocelular faz parte junto com o espinocelular, é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve o basocelular como o mais prevalente de todos os tipos de câncer da pele.

A explicação está no sol. O dano que a radiação ultravioleta causa nas células se acumula a cada exposição, por décadas, e é por isso que o carcinoma basocelular é mais comum a partir da meia-idade e aparece justamente onde o sol bate mais. Em Belo Horizonte, com sol forte o ano inteiro e muita gente que trabalha, pedala ou caminha ao ar livre, esse acúmulo é uma realidade.

O carcinoma basocelular é maligno? Tem cura?

Sim, o carcinoma basocelular é um câncer, ou seja, um tumor maligno. Mas ele se comporta de um jeito bem diferente do melanoma. O Manual MSD explica que ele raramente forma metástases e que o tratamento é quase sempre eficaz, e a SBD afirma que ele tem baixa letalidade e pode ser curado quando detectado cedo.

O risco real do carcinoma basocelular é local. Sem tratamento, ele continua crescendo devagar para os lados e para dentro, e pode destruir a pele e os tecidos ao redor, inclusive cartilagem e osso. Em lugares como nariz, pálpebras e orelhas, isso significa cirurgias maiores e cicatrizes que poderiam ter sido evitadas. Por isso “não espalha” nunca deve ser motivo para adiar a consulta.

Causas e fatores de risco

A principal causa é a exposição à radiação ultravioleta, do sol e das câmaras de bronzeamento. Alguns fatores aumentam o risco:

  • pele clara, que queima com facilidade, e olhos e cabelos claros;
  • muitos anos de sol no trabalho ou no lazer, sem proteção;
  • queimaduras solares repetidas, inclusive na infância;
  • idade mais avançada, pelo efeito acumulado do sol;
  • já ter tido um carcinoma basocelular ou outro câncer de pele;
  • imunidade baixa, como em pessoas transplantadas que usam medicamentos imunossupressores.

Ter pele morena não zera o risco: o carcinoma basocelular é menos frequente nesse grupo, mas acontece, e às vezes com uma cor mais escura, que confunde.

Homem idoso de chapéu de palha sentado em uma varanda ensolarada

Sinais e sintomas: como o carcinoma basocelular aparece

Aqui está a maior diferença em relação ao que a maioria das pessoas espera. O carcinoma basocelular raramente parece uma pinta preta. Os sinais mais comuns são:

  • uma bolinha brilhante, perolada ou rosada, firme, às vezes com pequenos vasos visíveis na superfície;
  • uma ferida que não cicatriza, ou que fecha e volta a abrir, às vezes com uma casquinha que sangra;
  • uma placa avermelhada e descamativa, que lembra um eczema mas não melhora com hidratante nem pomada;
  • uma área esbranquiçada, endurecida, parecida com cicatriz, sem que tenha havido corte no local.

Em geral não dói e não coça, e é por isso que tanta gente convive com ele por muito tempo. O Ministério da Saúde inclui entre os sintomas do câncer de pele a lesão que não cicatriza em quatro semanas e a que coça, descama ou sangra. Se a mancha que preocupa você é escura, muda de forma ou tem várias cores, o raciocínio é outro, e o texto sobre como saber se uma pinta é maligna explica a regra do ABCDE que usamos para avaliar pintas.

Tipos de carcinoma basocelular

Os dermatologistas e patologistas dividem o carcinoma basocelular em subtipos, que ajudam a escolher o tratamento:

  1. Nodular: o mais comum. Uma pápula ou nódulo brilhante, que pode ulcerar no centro com o tempo.
  2. Superficial: placas finas, avermelhadas ou rosadas, mais frequentes no tronco e nos ombros.
  3. Pigmentado: com pigmento escuro, e por isso às vezes confundido com pinta ou melanoma.
  4. Esclerodermiforme (ou morfeiforme): uma placa clara e endurecida, de bordas mal definidas. Tende a se infiltrar mais e costuma pedir cirurgia com mais margem.

O subtipo exato só é confirmado no exame do tecido, a biópsia.

Diagnóstico: dermatoscopia e biópsia

A suspeita começa no exame clínico. Com o dermatoscópio, um aparelho de aumento com luz própria, consigo ver estruturas típicas do carcinoma basocelular que não aparecem a olho nu. O exame não dói e é feito na própria consulta.

A confirmação vem da biópsia: retiro um fragmento da lesão, ou a lesão inteira quando ela é pequena, com anestesia local, e o material vai para análise. O Manual MSD descreve a biópsia como o procedimento padrão para confirmar o diagnóstico. O laudo informa o subtipo e, quando a lesão inteira é retirada, se as margens ficaram livres.

Esse exame da pele faz parte do mapeamento de pintas e prevenção do câncer de pele que realizo no consultório, em que examino o corpo todo, inclusive as áreas que você não consegue ver no espelho.

Tratamento do carcinoma basocelular

O tratamento depende do tamanho, do subtipo, do local e da saúde de cada paciente. As principais opções são:

  • Cirurgia com margem: a mais usada. A lesão é retirada com uma pequena margem de pele saudável ao redor, com anestesia local, e o material é examinado para confirmar que saiu inteira. Explico como funciona esse procedimento na página de retirada de pinta e cirurgia dermatológica em BH.
  • Curetagem e eletrocoagulação: raspagem da lesão seguida de cauterização, indicada para alguns tumores pequenos e superficiais.
  • Medicamentos aplicados na pele: o Manual MSD cita cremes quimioterápicos para casos selecionados, sobretudo o tipo superficial.
  • Crioterapia: congelamento da lesão, em situações específicas.
  • Cirurgia micrográfica (de Mohs): técnica em que as margens são examinadas durante a própria cirurgia, reservada a lesões em áreas delicadas do rosto ou que voltaram, feita por cirurgiões com treinamento específico.
  • Radioterapia e medicamentos orais: para casos avançados ou pacientes que não podem operar, conduzidos em conjunto com outros especialistas.

Não existe um tratamento melhor para todos. Na consulta, explico as opções que fazem sentido para a sua lesão e por quê.

Depois do tratamento: o acompanhamento

Quem já teve um carcinoma basocelular tem mais chance de ter outro. O Manual MSD informa que quase 25% das pessoas que tiveram um desenvolvem um novo carcinoma basocelular em até cinco anos. Isso não é recidiva da lesão tratada, e sim uma nova lesão em outra área que tomou sol.

Por isso o acompanhamento é parte do tratamento: revisões periódicas da pele, com intervalo combinado de acordo com o risco de cada pessoa, e o autoexame em casa entre as consultas.

Prevenção: protegendo a pele do sol de BH

A prevenção do carcinoma basocelular é a mesma do câncer de pele em geral, e funciona melhor quando vira hábito. A SBD recomenda:

  • protetor solar todos os dias, com FPS 30 no mínimo, reaplicado ao longo do dia;
  • evitar o sol e ficar na sombra entre 10h e 16h;
  • chapéu, camiseta e óculos escuros nas atividades ao ar livre;
  • exame da pele com dermatologista periodicamente.

Em BH, isso inclui o fim de semana na Pampulha, a trilha na Serra do Curral, o jogo de futebol e a fila do sacolão ao meio-dia. Orelhas, nuca, nariz e couro cabeludo com pouco cabelo são lugares que quase todo mundo esquece de proteger, e são justamente onde o carcinoma basocelular mais aparece.

Quando procurar o dermatologista

Procure avaliação se você tem uma ferida que não fecha em quatro semanas, uma bolinha brilhante que está crescendo, uma placa vermelha que não melhora com nada ou uma área endurecida, parecida com cicatriz, que surgiu sem motivo. O dermatologista é o médico indicado para avaliar e, na maioria dos casos, tratar o carcinoma basocelular.

Atendo no consultório da Av. do Contorno, no Funcionários, perto da Savassi e de Lourdes, de segunda a quinta-feira, e recebo pacientes de toda Belo Horizonte e da região metropolitana. Chame no WhatsApp (31) 99161-2681 ou veja como agendar na página de contato.